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Chic'Ana

“Não posso mudar a direção do vento, mas posso ajustar as minhas velas para chegar sempre ao meu destino” by Jimmy Dean

Chic'Ana

“Não posso mudar a direção do vento, mas posso ajustar as minhas velas para chegar sempre ao meu destino” by Jimmy Dean

Porcos com asas não são apenas nos filmes?

Nada melhor que começar a semana a partilhar uma das peripécias do meu fim de semana, que, felizmente acabou em bem, mas digo-vos que tive medo, lá isso tive..

 

Sábado de tarde lá vamos nós, eu, K e mãe, saltitantes e contentes ver uma das pecuárias que a vizinha tem. Desta vez íamos ver umas alterações que ela tinha feito ao nível das divisórias. Eu já conhecia a versão anterior e ia ver agora o que tinha alterado. Para a minha mãe foi uma estreia inesquecível.

 

Entrámos as 4 em fila indiana, e a minha mãe ficou mais junto à porta. A minha irmã ia andando junto a mim, e a vizinha ia mais à frente. Estava tudo a correr bem, as alterações estavam impecáveis. Às tantas uma das porquinhas começa a fazer imenso barulho e a ficar bastante agitada.

 

Mãe: Ela está trancada?

Vizinha: Está sim, não se preocupe! Não sei o que se passa para este comportamento!

"Shiuuu, está caladinha" - diz a vizinha 

Mãe: Bom, ela não sai daí pois não?

Vizinha: Nem pensar!

 

Acaba de dizer isto, a porquinha dá um salto de tal maneira que passa a vedação e fica fora do compartimento, sem qualquer proteção entre nós. A minha mãe com a pressa de fugir deita a mão a quem está mais perto, a minha irmã, arrasta-a com ela porta fora e tranca-me a mim, e à vizinha no interior da pecuária.

Eu fiquei de tal forma petrificada com o comportamento dela que fiquei estática. Olhava ora para a porquinha (que de pequenina nada tinha) ora para a minha vizinha. Com esta agitação toda, felizmente, a porquinha acalmou e foi fácil encaminhá-la novamente para o seu espaço.. Mas que foram momentos de tensão, lá isso foram!

 

Vá lá, bem sei que dou chatices, mas assim tantas?!

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Podem ver uma imagem de porquinhos fofinhos aqui.

 

Quantas vezes podemos ficar gelados?

Depois de uma visita ao Oceanário, e aproveitando o bom tempo de domingo, era a altura ideal para pulverizar as árvores. E, pela chuvada que caiu ontem, foi o dia certo para o fazer.

 

Aproveitei que a minha irmã estava disponível e lá vamos nós terreno abaixo, de galochas, impermeáveis, munidas com o pulverizador de 20L, que pesa toneladas nas costas, e íamos trocando à medida que ficávamos cansadas. Os impermeáveis são utilizados não pela chuva que poderia cair, mas sim por causa do vento. O líquido que sai do pulverizador também nos rega a nós (daí não termos fungos ou insetos).

Tínhamos uma tarefa difícil, pois como tem chovido, o terreno tem ficado muito escorregadio, principalmente nas encostas. Felizmente conseguimos concluir a tarefa com sucesso! Nenhuma caiu, fizemos slide por várias vezes, mas continuámos em pé..

 

Finalmente era tempo de lavar as galochas, e nada melhor que a mangueira, pois conseguíamos lavar á distância sem nos molharmos. A K descalçou-se e começou a lavar as delas, até que me pediu para eu ir levantando os pés que ela lavava logo as minhas por baixo. Assim foi, estava tudo a correr normalmente quando a dada altura:

Mãe: K, podes chegar aqui?

K: Agora não, estou a lavar as galochas da Ana. E sou mesmo boa nisto, sai tudo na perfeição!

Mãe: Mas.....

Nisto, vira-se para trás, e o meu rabiosque ligeiramente empinado, descobriu que um simples movimento de cabeça, faz também o braço rodar na mesma direção e pumba, toca de me regar o rabiosque!

Fiquei completamente molhada, enregelada, porque a água estava acumulada na mangueira e não estava a temperaturas muito apelativas nesta altura do ano. Protestei imenso, mas como tinha de ir a correr para a banheira retirar os produtos, pronto, não foi assim tão mau...

 

Já na banheira, a ficar finalmente quentinha... 

 

cathy.JPGChic' Ana: Ahhhh....Alguém pode ver o que se passa com o gás?? (eu gelada a desesperar cheia de champô na cabeça)

K: Vão trocar a bilha! Mais 1 min e já podes ligar!

Uns espirros depois, finalmente a água estava quente.. Tiro o champô, coloco o amaciador e..

Chic' Ana: Outra vez? Mas estão a brincar comigo?

K: A segunda bilha também já não tinha quase nada, pensávamos que dava para acabares o banho. Vão trocar para a boa agora..

 

Portanto, num curto espaço de tempo, consegui ficar gelada por 3 vezes..

 

 

Há quem diga que faz bem à pele, certo? Pois esta semana devo parecer uma criança de 7 anos!

 

Uma aventura no Gerês

Há alguns anos, na altura do Carnaval, tínhamos combinado ficar na Pousada da Juventude e palmilhar o Gerês a pé, que é um local lindíssimo e que recomendo a todos os que gostem de natureza. Mochilas de campismo, agasalhos, bússolas, telemóveis e alguns bens alimentares e eu transportava também uma lanterna e uma pequena farmácia. Tudo preparado para uma excelente aventura! Incluindo a carta topográfica para nos orientarmos. Para quem não conhece, esta carta possibilita a identificação de troços de água, estradas e caminhos, a presença de edifícios, bosques e fundamentalmente o relevo, que, para quem pretende fazer uma caminhada é crucial para a gestão do esforço.

 

Através do estudo desta carta, traçámos o percurso ideal para efetuar e voilá, no dia seguinte saímos da pousada cedinho e começámos o nosso caminho.

Tudo estava a correr bem, foi uma manhã fantástica com novas descobertas, a respirar ar puro, a passar por aldeias pedra sobre pedra, e eu trouxe para casa uma recordação existente num local que me marcou particularmente, porque fiquei com a sensação de algo estranho: uma antiga aldeia de pescadores, que deveria ter ficado submersa, pelo menos aparentemente era o que parecia, com muita humidade, o terreno mais arenoso, alguns indícios de animais do mar, agora fossilizados,  e algo a brilhar no meio do caminho - um anzol. Mas não era um anzol qualquer, era um anzol com chapinhas de identificação e acessórios decorativos, via-se que tinha muitos anos. Adorei aquela peça e fiquei o caminho todo a pensar nas histórias que este precioso objeto guardaria.

Da parte da tarde fizemos uma pausa para lanchar e enquanto alguns comiam, outros foram á frente descortinar o que se seguia. Chegaram à conclusão que o caminho que tínhamos escolhido era impossível de seguir, pois parecia que tinha havido um desabamento de terras impossibilitando a passagem. Qual a única solução? Voltar para trás!

 

Apressámos o passo, porque o que tínhamos combinado era jantar na pousada, e, uma vez que não haviam caminhos alternativos, tínhamos de voltar exatamente por onde tínhamos vindo, e já estava a escurecer.

 

Chegámos novamente ao local onde tinha encontrado o anzol e não havia aldeia.. Ao invés da aldeia, existia sim um troço de água e não era nada pequeno, porque conseguia cobrir as casas (ou os amontoados de pedra). Ok, tudo controlado, estávamos entre um rio e um desabamento de terras, que não apareciam assinalados na carta topográfica. Pudera, a carta já tinha 20 anos! E em 20 anos muita coisa acontece!

Primeira reação de todos: pânico, lamentações, gritos e no meio desta choradeira, um som pouco esperado: gargalhadas. Alguém se ria a plenos pulmões: Eu!

Ria a bandeiras despregadas e estava com um olhar entusiasmado, porque finalmente se tinha feito luz, e o que eu tinha achado estranho, afinal tinha uma justificação bem simples: Aquele espaço tinha-me parecido mais atual que em redor, isto porque a água devia trazer elementos que ficavam a repousar até que viesse novamente a água com outros elementos. Tudo explicado! Acho que neste momento me queriam todos internar num manicómio, mas foi o clique que nos fez despertar e deixar de lamentar.

 

Primeira reação: telemóveis – não tinham rede, não conseguíamos avisar ninguém. A maior parte não tinham lanternas, pois utilizavam as dos telemóveis só que estes ficaram sem bateria de tanto tentarem sincronizar com a rede. Havia apenas a minha lanterna pequenina (pelo menos era daquelas manuais, portanto funcionava sempre).

Todo o cenário se compunha: desabamento de um lado, rio de outro lado, sem telemóveis e sem lanternas (à exceção da minha poderosa lanterna mini para cerca de 10 pessoas)! 

 

A verdadeira aventura começava agora. Procurámos ao longo do troço de água (sempre a subir, pois o caudal ia diminuindo) uma parte em que fosse fácil saltar, não havia, o melhor mesmo era um local em que tínhamos de saltitar por entre pedras, colocar os pés no rio, na água gelada e pronto! Primeiro obstáculo: concluído!

Mas quem sobe, depois também tem de descer, certo? Segundo obstáculo: a chuva, que já se fazia sentir há algum tempo e que tinha transformado a terra em autênticos escorregas de lama. O que nunca fazer? Ir em fila indiana. Estávamos muito juntos e íamos agarrando o que encontrávamos: árvores, arbustos, em eu primeiro lugar porque tinha a lanterna. Eis senão quando, o último da fila  se desequilibra, eu só tive a reação de saltar para o lado e de ver todos os outros como uma espécie de pinos de bowling a tombar à medida que o outro ia passando. Uma coisa é certa, chegaram ao fundo bem primeiro do que eu e muito mais amachucados. 

Finalmente após estes dois percalços encarreiramos com um caminho estável e demos corda aos sapatos!

 

Chegámos à pousada já de madrugada, por volta das 3h da manhã, somente com 6h de atraso. Todos enlameados e molhados, mas bastante quentinhos internamente, por esta maravilhosa aventura que gerou muitas gargalhadas no dia seguinte! E vocês, já tiveram alguma história semelhante?

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Procura-se... ou Menina da Cidade parte II

Eu bem avisei que estas férias foram pródigas em aventuras. Cá vai mais uma:

 

Em tempo chuvoso, tem de se aproveitar todos os espacinhos em que achamos que não vai chover, pelo menos umas horas, para se fazerem os tratamentos às árvores. Posto isto, estava eu em casa toda arranjadinha, penteada, quando começa a fazer sol. Saio disparada em direção ao pulverizador, visto uma capa de plástico que eu tenho que me cobre da cabeça aos pés (oferta da minha mãe, porque acabava os tratamentos completamente azul) e lá vou eu toda contente. Pulverizo a maior parte das árvores e já vou na última, quando a descer do escadote, não calculei bem, e fiquei presa pelo cabelo num galho da árvore. Faço uma ginástica enorme para me libertar, viro para a esquerda, viro para a direita, grito, barafusto, mas ninguém me ouve, ou fingem que não me ouvem, e por fim, depois de um esticão e de alguns ai’s chego ao solo vitoriosa... Missão cumprida!

 

Eis senão quando...

Chic’ Ana: O meu brinco??? Falta-me um brinco!! (Ainda por cima tinham sido oferta de Natal e eu exibia os meus brincos da Parfois orgulhosamente como se de uns diamantes se tratassem! ).

Família: Mas quem é pulveriza as árvores de brincos?? Vá deixa-te lá de fitas e vamos para cima!

 

1h depois chego eu a casa, descabelada, mas com o brinco, que se tinha enfiado num buraquinho e se encontrava coberto com a folhagem... Parte positiva: Não caiu para dentro do buraco de nenhum coelho, ou toupeira, ou... qualquer animal que queira nidificar, hibernar, ou simplesmente viver, no meu quintal!

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Meninos da Cidade... No campo!

Uma das vantagens de se ter uma casa na terrinha é o comércio interno que por lá se vive: Trocam-se legumes, fruta, ovos e até animais. Estas férias houve uma vizinha que ofereceu um peru. E nós não vamos de modas, peru caseiro, sabendo que tem uma alimentação saudável, o que se pode pedir mais? Apenas que ele venha morto e depenado, certo? Pois, não foi bem assim…

 

Vizinha: Tenho lá um peru para vocês, “só” têm de o apanhar, matar e depois arranjar.

Chic’ Ana: Eu nunca fiz nada disso, vai ser bonito, vai! Isso é um “só” muito grande…

Vizinha: Não custa nada. Apanham, embebedam o peru com aguardente para a carne ficar mais tenra, esperam um pouco e depois matam o peru. Ele nem sente..

Chic’ Ana: (eu com uma cara muito estranha), ok, vamos a isso!

 

Primeiro passo: Apanhar o peru! O animal não parava quieto, esvoaçava por todo o lado, e para ajudar à festa, cada vez que ele abria as asas, eu instintivamente fechava os olhos, portanto, quando tornava a olhar já estava num sítio bastante diferente! Após uns arranhões e umas valentes quedas, lá vinha ele mais ou menos sossegado. E muito mais apresentável que eu, que estava toda suja e descabelada!

Segundo passo: Abrir o bico do peru e dar-lhe aguardente a beber, em pequenos goles. Feito! Colocámos o peru dentro de um recipiente alto e largo e esperámos uns 10min, foi o tempo de colocar a água a ferver e preparar as coisas para a tarefa seguinte.

Terceiro passo: Matar o peru… Fomos buscar o animal ao recipiente, e eis que.. ele não se mexia!! Abanámos o peru, o recipiente onde ele estava e nada. Conclusão: tinha morrido com excesso de bebida!! (Era suposto ser assim? Pensei eu. Nos aviários não me parece que façam bem isto! O dinheiro que se gasta em aguardente não compensa o preço do peru..)

 

Chic’ Ana: Oh Vizinha, acho que fomos bem sucedidos na morte do peru…

Vizinha: A sério? E sangrou muito? Estão a ver como é fácil?

Chic’ Ana: Não sangrou nada! Foi um trabalho perfeito! Nem tem marcas nem nada…

Vizinha: Oh filhos, mas ele tem de sangrar, como é que mataram o peru, ao murro??

Chic’ Ana: Então, nós demos-lhe aguardente e ele teve uma morte santa, quando fomos á procura dele, já estava morto!

 

Foi ver a senhora a mudar de cor, começar a correr e só repetia – “nunca vi tal coisa em tantos anos, agora embebedaram o peru até à morte” – e lá foi ela ver se conseguia que o peru ainda sangrasse e ficasse apto para ser consumido.

Acho que tão cedo não nos convida para matar um peru!!

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