Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chic'Ana

“Não posso mudar a direção do vento, mas posso ajustar as minhas velas para chegar sempre ao meu destino” by Jimmy Dean

Chic'Ana

“Não posso mudar a direção do vento, mas posso ajustar as minhas velas para chegar sempre ao meu destino” by Jimmy Dean

Eu e os jogos de computador

Houve uma altura em que era louca por jogos de computador. Não tinha muitos, porque eram caríssimos, mas tinha alguns que me iam oferecendo em ocasiões especiais.

Esta semana fui a casa dos meus pais e dei por mim a recordar e a mexer na gaveta dos jogos, todos eles me despoletavam boas recordações.

 

Chic' Ana: Ah, nunca cheguei a terminar este jogo!

Chic' Ana: Este também não.

Chic' Ana: Acabo agora de me aperceber que nunca cheguei ao fim de nenhum jogo!

 

Nisto, ligo o pc, coloco o jogo.. Começo a jogar para tentar finalizar um deles e ver como termina..

 

Chic' Ana: O que é que eu estou a fazer? A terminar o jogo? E depois... o que é que me fará jogar o mesmo novamente? Não, vou deixar por terminar, assim tenho sempre para onde voltar.

 

9615010-5868510-6-0-1503002386-1503002388-660-1-1503002388-650-7640b14f49-1503017269.jpg

 Digam-me que isto é um comportamento pelo menos mais ou menos normal sff!

 

A roupa de um bebé

Têm noção da quantidade de roupa que é necessário para um bebé?!

 

Agora das duas uma: ou compro mais roupa, ou tenho de colocar a máquina a lavar uma vez por dia. Felizmente que agora o bom tempo já seca a roupa rapidamente e permite que seja passada a ferro num ápice...

 

pais-de-primeira-viagem-bebe-gravidez-fashion.jpg

 

Com a pequenina, fazer a gestão diária do blog tem sido um pouquinho complicado, pelo que farei no mínimo 3 atualizações por semana. 

 

One Smile a Day com.. a Teresa

O One Smile a Day desta semana chega mais cedo,amanhã farei gazeta pois preciso de me preparar para um casamento, não o real, mas outro que será bem mais real para mim.

A minha convidada desta semana é a Teresa, autora do blog Ontem é só memória. Este é um blog pessoal, quase como um diário que nos guia para a vida da autora. Podemos contar com desabafos, com posts mais cómicos e com belas imagens. Tenho de confessar que a minha rúbrica favorita é a "Hora da Póóóchete". Uma pessoa simpática, terra-a-terra, que nos acolhe sempre com um sorriso e boa disposição. Não conhecem a Teresa? Convido-vos a passar por lá e a lerem a peripécia que ela nos conta de seguida. 

 

Eu devia ter os meus sete ou oito anos quando esta história aconteceu. Eu estava na segunda classe e era dia 26 de abril. De forma a ensinar às crianças o simbolismo do feriado do dia anterior, a professora pediu-nos para fazermos um desenho sobre as coisas que tínhamos feito e visto no feriado, incluindo, uma corrida que se fazia aqui em Gondomar para assinalar a data.
Nunca fui daquelas crianças que gostam de desenhar, por isso comecei logo a torcer o nariz ao trabalho, afinal de contas uma pessoa vem relaxada do feriado e chega à escola para fazer desenhos? Que chatice!!! Lá peguei no material e fiquei sentada a olhar para folha A4 branca, como é que ia encher aquilo com desenhos quando eu além de não gostar de desenhar sou péssima a fazê-lo?! Olhava para os lados e via os meus colegas todos entusiasmados, e eu ali, sem o talento e sem a vontade!
Acabei por dividir a olha em alguns quadrados, e fui desenhando dentro das minhas limitações e sempre evitando desenhar pessoas (afinal é mais fácil desenhar casas quadradas do que pessoas), mas quando cheguei ao ultimo quadrado, tive que aceitar a dura realidade, eu tinha que desenhar a corrida do 25 abril, e na realidade eu não queria, desenhar inúmeros bonecos a correr, simplesmente dava muito trabalho e eu não queria nem gostava de desenhar.
No lado direito do quadrado que sobrava eu desenhei (muito mal, mas pronto não dava para mais), a parte da frente de um carro, e entenda-se que por parte da frente, era apenas meia roda, e o capô do carro com uns faróis manhosos, tudo relativamente grande para ocupar o máximo de espaço possível. Do lado direito do quadrado limitei-me a desenhar um boneco, mas não pensem já que eu tinha libertado a minha veia artística, o boneco que eu desenhei era aquele super básico feito com linhas ao estilo boneco do jogo do enforcado, com a variante (e aqui eu já estava a usar todo o meu talento), que um dos braços estava levantado no ar com os dedos a fazer o V de vitória.
Senti-me realizada com o trabalho, duas casas quadradas, algumas árvores, meio carro e um boneco já era muito bom, vindo de mim, por isso quando a professora começou a chamar os meus colegas para "avaliar" os trabalhos deles, fiquei com a sensação que ia ter problemas, afinal de contas, os outros miúdos tinha feito inúmeras pessoas a correr (alguns bem mais feios que o meu boneco do enforcado), e a professora só lhes dizia "muito bonito" ou "muito bem" ou pior ainda "muito bem desenhaste as pessoas todas que estavam na corrida".
Imaginam a minha cara ao ouvir aquilo... Eu só tinha UMA pessoa desenhada e já tinha sido um sacrifício!
Entretanto chegou a minha vez de mostrar o meu desenho (o lado bom de ter um nome começado por T, é que sou quase sempre a última a apresentar os trabalhos), quando estiquei a folha à professora ela ficou muito séria a olhar para a folha e depois para mim.
- Teresa o desenho está bonito, mas não desenhaste a corrida, e eu disse para desenharem a corrida...
- Mas senhora professora eu desenhei, está aqui (disse eu apontando para último quadrado)
- Mas aqui só está um menino, de certeza que estavam mais pessoas na corrida.
- Claro que estavam! Mas esse foi o que ganhou, e ganhou a corrida por um diferença tão grande que outros ficaram para trás e não cabiam na folha!
Ainda hoje a minha mãe conta esta história, pois ao que parece este foi o tema da reunião de pais seguinte. E eu aprendi uma lição valiosa, uma boa resposta pode safar-nos de muitos problemas.
 
Espero que tenham gostado, aproveito para agradecer à Ana do fundo do coração a possibilidade que ela me deu de participar neste desafio.

 

Obrigada minha querida, nem imaginas o que eu me ri a imaginar toda a situação. Sem dúvida que foi uma resposta valiosa.. É assim, todos temos o nosso papel, tu podias não saber desenhar na perfeição, mas tinhas outros talentos bastante desenvolvidos! =)

 

ga080313.jpg

 Um bom fim de semana para todos!

Este tempo...

Eu ainda sou do tempo, em que por não haver muito espaço no roupeiro, existia a época da roupa de verão e da roupa de inverno, que curiosamente correspondiam às estações do ano com o mesmo nome, verão e inverno, respetivamente. A meio da primavera fazíamos a troca de roupas e a meio do outono, a mesma coisa.

 

Hoje em dia, das três, uma:

- Ou temos muito pouca roupa que cabe toda no mesmo roupeiro;

- Ou temos roupeiros gigantes onde caibam as peças de todas as estações;

- Ou então estamos tramados e passamos a vida a arrumar e desarrumar roupa que já estava prontinha a “dormir” por cerca de 6 meses.

 

Sim, eu enquadro-me na última opção! Agora, experimentem fazer este mesmo malabarismo, com uma bebé em constante crescimento.. Andei 3 semanas para descobrir uma loja que ainda tivesse collants mais ou menos quentes, uma vez que ou são muito fininhas, ou são apenas até ao joelho.

Para o ano não me enganam, vou já comprar collants até ela ter 3 anos..

garfiel_-curitiba2.jpg

 Mais uma questão: É agora que posso ir buscar a roupa de verão definitivamente?

 

Nota: Sou Sportinguista e sempre o serei. Foi com o coração apertadinho que vi ontem as notícias. Foi simplesmente triste! Triste para o clube, triste para os jogadores e famílias, triste para os adeptos na verdadeira definição da palavra, triste para o futebol nacional, triste para Portugal!

Não partilho as palavras do presidente "Crime faz parte do dia a dia e temos de nos habituar!". Isto é condenável, o crime não deveria fazer parte do dia a dia, esta não é uma ideia aceitável.

O futebol deveria ser um espetáculo, não o transformem num campo de batalha. 

Exercício à força!

Agradeço encarecidamente aos senhores condutores que se preocupam com a minha forma física. Proporcionam-me 5 minutos de intenso exercício matinal.

 

Ora vejamos:

Ana aproxima-se da passadeira...

Ana faz espalhafato enquanto se chega mais perto da mesma para ser notada...

Ana coloca sorrateiramente o pé na passadeira..

Os condutores aceleram!

 

Ana vê uma nesga no fluxo de carros..

Ana prepara-se, corre, e como ainda não está a meio da passadeira, volta para trás por forma a fugir ao doido que se aproxima a uma velocidade estonteante.

 

Ana faz step no lancil do passeio da passadeira. Ora sobe, ora desce.. e ela só quer atravessar a rua. Ainda pisca o olho ao polícia municipal que se encontra estacionado a uns 3 metros, mas não é bem sucedida.

Felizmente há um cruzamento uns metros atrás, em que os carros simplesmente não param, e quase todos os dias se dá um quase acidente. É neste quase acidente que Ana consegue atravessar a rua, na passadeira!

 

Percebo que tenham pressa para ir trabalhar, a sério que sim, mas o que acham que eu estou a fazer "plantada" numa passadeira às 07h50 da manhã? A escolher o próximo carro que quero comprar?

Suporte_684.jpg

One Smile a Day com.. a Magui

A minha convidada desta semana é a Magui, autora do blog Este blog tem dias. É um espaço de partilha de pensamentos, sempre marcados pelo humor e boa disposição que tão bem a caracterizam. Tal como ela diz, "gosta de transformar a tristeza em sorrisos e de passear pelas cores do arco íris", e haverá melhor forma de encarar a vida?

Diz que no seu espaço não se aprende grande coisa, da minha perspetiva, aprendemos a valorizar o que é realmente importante, aprendemos a rir, de nós próprios e não só, aprendemos que existe sempre uma forma positiva de encarar as situações do dia a dia, e isto é uma grande aprendizagem.  

Fiz o ensino secundário em Leiria, que fica a cerca de 25 Km da minha terra.
Tinha o passe/estudante, mas um dia, juntamente com uma colega resolvemos vir de Leiria à boleia. (Coisas de aborrescentes)
A primeira boleia que apanhámos, foi de uma senhora que vinha do mercado. O carro era pequeno e viemos entaladas entre caixas de fruta e legumes.
Não contentes com a boleia, ainda ficamos com fruta "emprestada".
A senhora deixou-nos a meia dúzia de km de Leiria. 
Já estávamos a desesperar por nova boleia, quando vimos aproximar-se um carro de matrícula francesa, que nos pareceu ser uma limousine com vidros escurecidos, toca de estender o braço, nunca tínhamos andado num carro daqueles, tinha chegado o dia.
Quando o carro se aproximou de nós, percebemos que era um carro funerário - cujo condutor teve o bom senso de não parar - mas foi o suficiente para nos rirmos até às lágrimas.
O último carro que parou e nos trouxe até à santa terrinha, tinha 5 portas e era ocupado por dois rapazes.
O pendura, que devia ser mais tonto que nós, saiu do carro para entrarmos. Perguntei se as portas de trás estavam avariadas e o moço corou e disse que não.
Pelo caminho, conversamos, os rapazes eram pouco mais velhos que nós, mas não eram destas bandas.
Combinamos encontrar-nos com eles à noite, para beber um café. Não sei se continuam à nossa espera!
Vitória, vitória, acabou-se a história.

Muito obrigada minha querida por esta bela peripécia, felizmente que uma certa limousine não parou, senão teria sido uma viagem épica.

Bom fim de semana!

mentirinhas_509.jpg

As cadeirinhas dos automóveis

O ovo que nós temos para transportar a Little B deveria dar até aos 13Kg, mas, achamos que ela já está demasiado desconfortável dentro do mesmo (ela tem perto de 8Kg), e para fazer viagens grandes está fora de questão.

Começámos a procurar uma cadeirinha para o substituir, e na hora de almoço, como pensei que fosse uma coisa rápida, fui a uma loja da especialidade e aqui começa o verdadeiro filme..

 

Chic' Ana: Boa tarde, pretendia ver uma cadeirinha de bebé, ela tem 7 meses.

Loja: Qual o peso?

Chic' Ana: Aproximadamente 8kg.

Loja: Quer com ou sem isofix?

Chic' Ana: Com isofix, sempre é mais seguro.

Loja: Mas os preços com isofix são muito mais elevados. Nós recomendamos, mas aviso já que vai ser bem mais caro e as pessoas não costumam aderir, portanto não temos muitos modelos que o contemplem.

Chic' Ana: Mesmo assim quero com isofix.

Loja: Temos estes modelos. Pretende que rode?

Chic' Ana: Não faço questão..

Loja: Ah, mas tem de rodar porque até aos 13kg tem de ir contra a marcha..

Chic' Ana: Então quero que rode..

Loja: Quer de quantos grupos etários? Se escolher até ao grupo 1 só lhe dá para mais uns tempos..

Chic' Ana: Então quero um que dure muito mais tempo, já que vou gastar bastante, que dure.

Loja: Então temos as seguintes combinações: Grupo 1, Grupo 1/2, Grupo 2, Grupo 2/3, Grupo 1/2/3, Grupo 0/1/2/3 e depois ainda temos os +..

Chic' Ana: Vou falar com o meu marido para discutirmos qual o grupo pretendido e depois volto.

 

Saio eu da loja com toda esta informação em mente, cadeirinhas a pairar no meu pensamento, e nisto.. passa uma carrinha com três miúdos à solta na bagageira.. 

 

cadeirinha.png

 

Os tempos do Secundário

Ontem encontrei uma colega de secundário com quem já não falava há anos. Estivemos a recordar amizades, professores, colegas, mas acima de tudo, episódios caricatos. Esta minha colega foi autora de um dos episódios que mais sorrisos nos despertou pela seriedade com que ela disse as coisas.

 

Era a nossa primeira aula de francês e, na altura, existia a política de nas aulas de francês apenas se falar em francês. Como a língua era praticamente desconhecida, uma vez que a língua estrangeira mais utilizada é o inglês, ninguém percebia nada do que a professora estava a dizer. 

A meio do que pensávamos ser o seu discurso de apresentação, a professora, lembrou-se de fazer uma questão pertinente à minha colega..

 

Professoracomment tu t'appelle? (como te chamas)

Colega: A minha pele professora? A minha pele está boa, obrigada por perguntar.

Professora

 

 

Ela disse isto num tom tão sério, tão convicta que estava a responder corretamente à questão, que despertou sorrisos em toda a gente, inclusivamente na professora, que após a cara de choque / espanto, quase não conseguiu terminar a aula com tanto riso.

 

053.jpg

 

E vocês, têm algum episódio semelhante?

O meu primeiro dia da Mãe

Começou com uma pergunta: O que é ser mãe?

E aqui eu fiquei com o lápis na mão, a pensar, pensar e só me apetecia escrever o símbolo do infinito, pois não há palavras suficientes que descrevam o sentimento de ser mãe!

Educadora: Vá mãe, não pode ser assim. Nem todas as mães compreendem esse símbolo.

Chic' Ana: Mas é isto mesmo que eu sinto..

Educadora: Um pouquinho de esforço.

Pronto e nesta fase tentei converter o símbolo em palavras:

 

"Ser mãe é... voar sem ter asas,

ter em ti o coração,

amar-te intensamente,

viver inebriada de paixão"

 

Educadora: Ah, assim sim, vê como conseguiu?

Chic' Ana: Preferia o símbolo do infinito...

 

Como segunda atividade tínhamos de pintar um vaso com a ajuda dos bebés. Todas as outras mães colocaram os bebés no chão ou nas espreguiçadeiras, e dedicaram-se à sua veia artística. Eu não larguei a minha pequenina um minuto, e portanto, o meu trabalho artístico é sem dúvida abstrato.

Terminámos com tinta no vaso, nas mãos, na roupa, nos cabelos e por pouco com menos um pincel, sim, porque a Little B descobriu um novo objetivo de vida: pintar os lábios com um pincel, ao mesmo tempo que o tentava comer.

 

Foi um dia único, memorável.. Se temos o melhor trabalho? Definitivamente que não, mas temos um trabalho a quatro mãos, e é isso que para mim é ser mãe: entrelaçar as mãos e pintar o futuro em conjunto.

 

Mãe, para ti, uma palavra especial, de carinho, reforço o sentimento que nos une, e sinceramente, se conseguir ser para a minha pequenina, metade daquilo que foste para mim, sei que ela crescerá bem e feliz! Obrigada por seres minha mãe, mas acima de tudo, obrigada por seres o meu exemplo, obrigada por seres quem és, obrigada pelo amor que vejo no teu rosto cada vez que olhas para a tua neta.

grande-mae1.jpg

 

Quanto ao passatempo Bis Ponto Cruz, a grande vencedora foi a Andreia, parabéns! 

Untitled (1).png

One Smile a Day com.. a Joana

Pois é, hoje tenho o prazer de vos apresentar a Joana, autora do blog O Quiosque da Joana. Este é um espaço que dispensa qualquer tipo de apresentação, penso que todos vocês já se cruzaram com a Joana e toda a sua "trupe". Um blog que nos conquista pela sua simplicidade, pela sua genuinidade, pelo retrato fiel da vida, e claro, tal só seria possível, porque temos uma autora que consegue chegar aos seus leitores, pela sua simpatia, pelos valores que a caracterizam e que estão em crise na nossa sociedade, pelo seu enorme coração e entrega ao próximo. É um espaço que eu não dispenso e do qual venho sempre com o coração mais quentinho. Sem mais demoras, aqui temos a história da Joana.

A vida não é como os computadores.

Devia ser. Não, tal e qual. Mas um bocadinho.

Devia permitir um ensaio. Um regresso, ao minuto anterior.

Dava jeito. Às vezes, dava jeito. Poder retirar aquela palavra. Daquela conversa.

Voltar atrás. E poder não enviar aquela mensagem.

Ou simplesmente. Poder voltar atrás. Numa ou noutra atitude.

Tive consciência disto. Quando tinha 13 anos.

 

Tinha 13 anos. Estudava no Pedro Nunes. Na Estrela.

Andava no ano. Tinha uma professora de Ciências. Absolutamente genial.

É claro que só dei conta disto, anos mais tarde.

No ano. Ciências, nem era a minha disciplina preferida.

Queria era ter uma nota civilizada para os meus pais não me chatearem. Só isso. E ficava-me por aqui.

Num tempo em que não havia tantos exames como agora.

A minha professora estava a borrifar-se um bocado para o saber que estava no livro.

Passávamos o tempo a fazer experiências. E trabalho prático.

Desde abrirmos corações. Escrutinarmos seres pequeninos dentro da terra. Microscópios. E rochas. Etc.

As aulas eram uma animação.

 

Se em casa. Nunca podia torcer o nariz a nada. Mostrar-me demasiado enjoada. Nem fazer-me de interessante.

Na escola. Achava que mandava alguma coisa.

E...

...no dia em que a professora.

Apareceu com um ratinho todo esticado e pronto a ser dissecado. Eu, Joana.

Armei-me em diva.

Mais ou menos como o meu cão Vasco faz. Quando dá de caras com uma aranha.

 

Os meus colegas rejubilaram. Eu. Encolhi-me num canto e ameacei chorar tal e qual uma miúda mimada.

A professora abriu o ratinho.

Os alunos estavam à volta dela. Para ver tudo.

E eu, Joana. Espreitava pelo canto do olho.

Depois de mostrar todos os cantos e recantos do ratinho.

A professora quis exemplificar como é que em caso de necessidade se podia reanimar a criatura.

Mostrou-nos uma palhinha. E disse-nos:

- Posicionamos a palhinha na boca do ratinho e sopramos levemente. Joana, chega, aqui. Tenta lá...

 

Passou-me a palhinha para a mão.

Debrucei-me sobre o ratinho.

Com mil Slimanis!...cheirava tão mal o caneco do animal!

Só de pensar que tinha de soprar na boca do bicho.

Era caso para pedir a reforma aos 13 anos. Tal era o trauma com que iria ficar...

Perdido por 1. Perdido por 1000.

Joana. Eu. Posicionei-me.

Joana. Eu. A enfrentar o touro pelos cornos. Ou melhor, a goela do ratinho.

Joana. Eu. Debruçada. A olhar o ratinho de cima para baixo.

Joana. Eu. Palhinha dentro da boca do ratinho.

Joana. Eu. A comandar a reanimação do ratinho. Qual Bas Dost no momento de marcar um penalti!

 

Os colegas sussurravam.

Queriam estar ali.

Na boca do lobo. Ou melhor, na goela do ratinho.

Credo. Ó senhores!  O bicho cheirava mesmo mal...e ninguém me pagava para tal...

 

Joana. Eu. Inspirei.

Joana. Eu. Qual tornado. Soprei.

Joana. Eu. Não percebi o que aconteceu.

Os colegas gritaram. E afastaram-se.

Senti qualquer coisa na cara.

E vi a professora...horrorizada.

Joana. Eu. Bruta. Que nem uma porta.

Soprei demais.

E o ratinho foi pelos ares. Ratinho por todos os lados. Tal foi o tamanho do sopro.

 

 

Ainda hoje, quando encontro os meus colegas de escola.

Não se lembram de mim porque tirei a melhor nota a história.

Ou porque cantei espetacularmente bem na festa de final de ano.

Não!

Claro que não!

Sou lembrada por este episódio. Épico. 

 

Não seria bom. Que a vida fosse como os computadores?

Pois, só que não é. Só que não é.

 

Obrigada Joana, por esta bela história. O que eu me ri, pobre do ratinho que se estivesse vivo, morria devido ao excesso de ar... Felizmente nunca me deparei com nenhum episódio semelhante.

 

Um grande beijinho e um bom fim de semana!

facdepsicologia.jpg