Estão preparados para o terceiro episódio desta rubrica? Vamos lá!
O meu convidado desta semana é o Hélder, autor do blog Pensamentos & Palavras. Já nem sei como nos conhecemos, mas sei sim que é uma simpatia. Tal como o título do blog indica, apresenta-nos os seus pensamentos sem qualquer filtro, as suas emoções, os seus problemas do dia a dia. Arrisco-me a dizer que é um blog pessoal no qual partilha as suas vivências, os seus sonhos. O sonho tem como base a imaginação, e esta pode ser desenvolvida e aprimorada através dos livros, sendo assim, também nos indica as suas preferências neste campo. Não deixem de visitar e conhecer um novo blog.
E sem mais demoras...
Tenho uma sobrinha muito linda que se chama Leonor, com apenas 2 anos. Gosto muito de brincar com ela e, acreditem, que quando brincamos, consigo ser pior que ela! Diria mesmo que a criança sou eu. Certo dia, a Leonor estava doente e, então, fui brincar com ela aos médicos. Eu era o doente, a Leonor a médica.
Para cuidar de mim, a Leonor deu-me o termómetro para medir a febre, como já nos viu a fazer com ela. Não quis estar a colocar o termómetro debaixo do braço, como se faz realmente, e então coloquei-o na boca como já vi em alguns filmes.
A minha mãe quando se apercebeu daquilo que eu estava a fazer simplesmente disse "tu estás com o termómetro da menina na boca?! Nós metemo-lo no rabo da menina ainda à pouco para lhe ver a febre!"
Eu tirei-o rapidamente e fui lavar a boca. A minha mãe chorou de tanto rir!
Oh Hélder, o que eu me fartei de rir com o teu episódio, imagino que tenhas ficado como o Garfield, com um "não acredito no que acabou de acontecer". Muito bom, obrigada por partilhares esta história tão engraçada connosco.
O próximo capítulo já está a ser cozinhado. Adivinham quem será a próxima vítima?
E eu só tenho a dizer que neste momento as palavras custam a escrever...
Neste momento não sei bem o que sentir ou fazer...
Neste momento já nada me parece claro e revelador...
Neste momento de tantas reticências, que se está a tornar perturbador...
Mas o que se passou afinal, não estás com o humor habitual?
Que se passou para estares assim? Conta-me depressa nem que seja só a mim.
Pois bem, se você pedem, eu conto!
Hoje de manhã chego à empresa sorridente e bem disposta. Ligo o portátil e começo a pensar no que vou escrever. Ok, foi fácil, já tinha a história pronta para contar. Para otimizar o tempo, em que o computador liga, sincroniza, etc, decidi ir à casa de banho.
Vou pelo corredor fora e mesmo atrás de mim, pelo canto do olho, consigo ver que vem alguém em passo acelerado e a fazer o típico barulho de saltos altos. Como foi um simples vislumbre, apenas percebi que envergava calças de ganga e um lustroso e longo cabelo louro.
Chegada á casa de banho, e como esta tem uma disposição estranha - quem abre a porta fica numa espécie de buraco, encurralada, portanto, a pessoa que vem atrás entra primeiro. Fiquei á espera que a pessoa passasse, mas não se mexia.
Chic' Ana: Pode passar que eu vou a seguir.
Pessoa: Não, não, deixe estar, obrigada.
Chic' Ana: Não tem problema, a casa de banho tem várias divisórias, não vou ter de esperar!
Pessoa: Não é uma questão de tempo, é mais uma questão de género (E aponta para a casa de banho dos homens, que estava também tapada pela porta aberta da casa de banho feminina)
Chic' Ana: (super vermelha) ah, desculpe, não estava a ver bem!
É verdade, eu confundi um homem com uma mulher, e ainda por cima queria que o pobre coitado entrasse à força na casa de banho errada! Não consegui chegar lá pela postura, pela voz, nem sequer depois de levantar o olhar e de olhar para ele como deve ser... Será que estou pitosga?? Cansada?? Será da idade??
Pois é, após os últimos episódios com peixes, seguida da visita ao Oceanário que terminou com um belo banho de água fria, eis que... Os peixes continuam a perturbar-me: O meu apetite fica incontrolável quando como peixe! Há alguém que me saiba explicar este fenómeno?
Ontem, após o almoço, tive de comer umas bolachinhas, porque estava cheia de fome, o que geralmente acontece quando como peixe. Comi apenas duas, consegui controlar-me e mentalizar-me que dali a uma hora estava em casa, o tempo ia passando e eu a pensar em comida: O que fazer para o jantar? O que será que a minha mãe tem na despensa para o lanche? O que será o almoço amanhã? E o pequeno-almoço? Comida para aqui, comida para ali.
Cheguei finalmente a casa da minha mãe e fui lanchar umas torradinhas, não ficando completamente saciada, passei para os cereais que a minha irmã lá tinha... e .. foi basicamente o que se vê na imagem.
(Controla-te Ana, só mais um e já arrumo, ora, não pode ficar ali aquele tão fofinho a olhar para mim, oh, agora está quase a acabar, não vale a pena guardarmos restinhos)
Moral da história: levei um grande raspanete por ter terminado os cereais, mas pelo menos fiquei com a minha barriguinha bem composta!
Acontece-me isto sempre que como peixe. Há mais alguém por esse lado que sofra do mesmo mal que eu?
Depois de uma visita ao Oceanário, e aproveitando o bom tempo de domingo, era a altura ideal para pulverizar as árvores. E, pela chuvada que caiu ontem, foi o dia certo para o fazer.
Aproveitei que a minha irmã estava disponível e lá vamos nós terreno abaixo, de galochas, impermeáveis, munidas com o pulverizador de 20L, que pesa toneladas nas costas, e íamos trocando à medida que ficávamos cansadas. Os impermeáveis são utilizados não pela chuva que poderia cair, mas sim por causa do vento. O líquido que sai do pulverizador também nos rega a nós (daí não termos fungos ou insetos).
Tínhamos uma tarefa difícil, pois como tem chovido, o terreno tem ficado muito escorregadio, principalmente nas encostas. Felizmente conseguimos concluir a tarefa com sucesso! Nenhuma caiu, fizemos slide por várias vezes, mas continuámos em pé..
Finalmente era tempo de lavar as galochas, e nada melhor que a mangueira, pois conseguíamos lavar á distância sem nos molharmos. A K descalçou-se e começou a lavar as delas, até que me pediu para eu ir levantando os pés que ela lavava logo as minhas por baixo. Assim foi, estava tudo a correr normalmente quando a dada altura:
Mãe: K, podes chegar aqui?
K: Agora não, estou a lavar as galochas da Ana. E sou mesmo boa nisto, sai tudo na perfeição!
Mãe: Mas.....
Nisto, vira-se para trás, e o meu rabiosque ligeiramente empinado, descobriu que um simples movimento de cabeça, faz também o braço rodar na mesma direção e pumba, toca de me regar o rabiosque!
Fiquei completamente molhada, enregelada, porque a água estava acumulada na mangueira e não estava a temperaturas muito apelativas nesta altura do ano. Protestei imenso, mas como tinha de ir a correr para a banheira retirar os produtos, pronto, não foi assim tão mau...
Já na banheira, a ficar finalmente quentinha...
Chic' Ana: Ahhhh....Alguém pode ver o que se passa com o gás?? (eu gelada a desesperar cheia de champô na cabeça)
K: Vão trocar a bilha! Mais 1 min e já podes ligar!
Uns espirros depois, finalmente a água estava quente.. Tiro o champô, coloco o amaciador e..
Chic' Ana: Outra vez? Mas estão a brincar comigo?
K: A segunda bilha também já não tinha quase nada, pensávamos que dava para acabares o banho. Vão trocar para a boa agora..
Portanto, num curto espaço de tempo, consegui ficar gelada por 3 vezes..
Há quem diga que faz bem à pele, certo? Pois esta semana devo parecer uma criança de 7 anos!
Depois de uma semana dedicada ao pesadelo dos peixes, onde é que eu poderia ir no fim de semana? Ao Oceanário pois claro!
O Oceanário de Lisboa foi considerado o melhor oceanário do mundo. Não podem deixar de o visitar. A grande atração deste local é o aquário central, que conta com 5 milhões de litros de água salgada, e que apesar de se encontrar dividido em quatro habitats marinhos, cria a ilusão de que estamos perante uma única divisão com variadíssimas espécies.
A visita divide-se em dois níveis: o terrestre e o subaquático, recriando ambientes tropicais, águas temperadas e frias.
O que podem encontrar a cada passo?
Aves - Como a andorinha do mar, o papagaio do mar, os famosos pinguins. Se conseguirem agendar a visita por forma a ver a alimentação, é mais um ponto alto de que vão gostar. Muito do meu tempo foi passado a observar os pinguins. Estávamos no período da alimentação, o tratador começa a distribuir os peixinhos e eis que vem um pinguim meio desajeitado em passo de corrida e tenta saltar para a água, encolhe-se, escorrega, demora, demora... E demora, ameaça, demora novamente... E eis que finalmente surge o tão desejado salto, todo enrolado, todo encolhido e nada artístico, o que arrancou uns valentes sorrisos à assistência.
Invertebrados - Temos as estrelas do mar, de todas as formas e feitios, os ouriços de inúmeras cores, o polvo gigante (têm de o procurar bem, eu só consegui vislumbrar um grande olho num buraco).
Peixes - Aqui é a categoria mais preenchida. Quem tiver crianças, e não só, vão adorar identificar o Nemo, por exemplo, vão rir-se imenso com o peixe-narigudo (tem um nariz mesmo engraçado, o que lhe evita muitos choques com a testa, os choques vão todos para o nariz). Peixes com coloração néon, enfim... Na altura havia um tratador que tentava vacinar uma manta, um trabalho de paciência diga-se de passagem, andava a nadar atrás dela, mas de forma a não a perturbar, sem movimentos bruscos, com uma grande seringa na mão. Era uma assistência sem fim, a torcer ora pela manta, ora pelo tratador.. Só sei que ao fim de 2 horas ainda não a tinha conseguido encurralar.
Anfíbios - Há rãs, sapos, salamandras..
Mamíferos - A lontra marinha. A minha perdição. São umas criaturas adoráveis, sempre a esfregarem-se, parecem autênticos humanos. De vez em quando param e olham ao redor para assistir a uma imensidão de pessoas de olhos fixos nelas. Parece que dizem "Mas estão a olhar para onde? Nunca viram ninguém a tomar banho?" e depois lá continuam o seu serviço de limpeza. Se conseguirem assistir à alimentação, melhor ainda, é algo que vale a pena.
Plantas e Algas - Também se encontram em grande quantidade. Até coqueiros existem no Oceanário.
É Sexta-feira! E para celebrarmos mais um final de semana, temos o segundo episódio da rubrica "One smile a day, keeps the doctor away".
A minha convidada desta semana é a Vitória, autora do blog Histórias Irreais. A Vitória é alfacinha de gema, vive num bairro lisboeta e é aqui que se inspira para a escrita do seu blog. Por entre jardins e miradouros, supermercados e cafés, existem histórias de vida impressionantes contadas muitas vezes na primeira pessoa e que ela partilha connosco sempre de forma emocionante. Podemos deliciar-nos com pequenos contos, pensamentos, conversas reais e irreais, momentos que tão bem fazem parte desta tela que é a vida. Tenho a certeza que irão apreciar.
Vamos então ao episódio que me deixou a rir por muito, muito tempo.
Estava um dia de muito vento e chuva, tinha combinado jantar com duas amigas, uma delas vinha buscar-me a casa.
Na hora marcada desci, junto ao meu prédio está sempre cheio de carros, a minha amiga costuma estacionar em segunda fila e espera por mim no carro.
Eu vejo o carro cinzento parado, luzes ligadas, dou uma corrida, abro a porta, sento-me e enquanto fecho o guarda chuva de porta aberta ainda digo - escolhemos mal a noite para ir ver rabos jeitosos (na brincadeira com ela como sempre). Nisto, viro-me e vejo um homem com os seus 40 anos a rir, que me diz - não precisa procurar mais.
Naquele momento não queria um buraco, queria desaparecer completamente por magia, lá pedi desculpa, sai e ri, ri tanto até a minha amiga chegar, depois claro, fui alvo de gozo durante muito tempo, ainda sou ás vezes.
Obrigada Vitória, por partilhares connosco este momento tão hilariante. Uma coisa posso assegurar: Não vou sair mais disparada de casa para carros em segunda fila, sem antes espreitar para o seu interior e confirmar se é mesmo de quem estou á espera! Acho que a banda desenhada abaixo descreve bem o rol de emoções pelas quais passaste (da alegria, ao espanto, ao "quero esconder-me num buraco")
A minha próxima vítima já está escolhida.. Vamos esperar para ver com o que nos vai surpreender?
Há uns 5 anos decidi que iria dar uma nova oportunidade aos peixinhos como animais de estimação. Lá vou eu a uma loja de animais, compro um aquário daqueles com tampa, retangular, comprido, precisamente para eles não saltarem. Como o aquário era grande decidi comprar 4 peixinhos: um daqueles pretos gordinhos com os olhos grandes, o tradicional vermelhinho, um que ficou apelidado de carpa, muito rápido e esguio, e um azulinho que tinha umas cores muito bonitas.
Nos primeiros dois dias correu tudo bem, comiam bem, à exceção do azulinho, mas o senhor tinha-nos dito que poderia acontecer por causa da adaptação à nova água, mas que seria rápido, uma vez que eles na loja estavam todos juntos e que em casa seriam para manter assim.
No terceiro dia vou ao aquário cumprimentar os peixinhos, olho para o peixinho preto… e as barbatanas estavam esbranquiçadas, pensei que tivesse sido de uma luta, fiquei a observar atentamente os peixes durante imenso tempo e nada de estranho. Não andavam aos encontrões, nada! Apenas uma diferença, a carpa estava a nadar ainda mais rapidamente.
No quarto dia, o peixinho preto e o vermelho estavam os dois sem um bocadinho da barbatana. Olho para a carpa e lá anda ela aos encontrões aos peixes. Conclusão: coloquei a carpa de castigo e foi para o aquário redondo com uma tampinha por cima.
Não aconteceu nada de estranho nos dois dias seguintes, a carpa acalmou, já não nadava desenfreadamente e eu pensei cá para mim: pronto, posso juntar outra vez os peixinhos. Juntei os peixes e estive um dia de vigilância, não aconteceu nada!
Ao oitavo dia o peixe preto estava completamente todo mordiscado e morto!! Barafustei com a carpa, coloquei-a outra vez de castigo e ela acalmou instantaneamente. E eu a pensar - que safada, faz tudo pela calada.
Ao nono dia, levanto-me já sem pensar no pesadelo dos peixes quando vejo o vermelho a boiar sem a barbatana! Mas que coisa do demónio era esta?? Olho para a carpa e ela estava sossegada no aquário à parte, olho para o azulinho e este andava na sua vida normal, calmo e tranquilo.
- Foste tu? – pensei eu! - Não, o vermelho devia estar com lesões por causa do outro ataque e não sobreviveu!
Por via das dúvidas deixei os dois sobreviventes separados. Portanto, tinha um aquário grande com apenas um peixinho, e um redondo com outro peixe. Sempre que se aproximavam um do outro, a carpa ficava maluquinha e nadava, nadava, nadava. Estiveram separados umas semanas. Até que num belo dia em que estava a mudar a água de um dos aquários, juntei os dois peixes, pensei que não havia problema pois eram apenas 5 minutos.
Mal tinha acabado de os juntar. Pumba, o azulinho atacou a carpa, e esta coitada lá nadava desenfreadamente.
Ahh, nem queria acreditar, era o azulinho que atacava os outros peixes, sim, o azulinho, aquele peixe que não se mexia. Fui investigar na internet e fez-se luz, o azulinho era um peixe de água quente, que não podia estar em contacto com mais nenhum peixe pois tinha instintos assassinos, lutando sempre para ser o único habitante do espaço. A sua alimentação baseava-se em insetos e algas. O quê? Tenho um peixe assassino??
Conclusão: Lá viveram em separado o resto dos seus dias, a carpa no aquário maior, mas sempre muito nervosa, pudera, ia sendo comida umas poucas vezes. E o azulinho, comigo a apanhar moscas e mosquitos para ele comer! Sim, porque só sobreviveu a comer os outros peixes, comida de peixe que é bom e bonito nem vê-la. Só me apetecia dar uma cacetada no peixe, mas coitado, a culpa era da genética! E pelos vistos tinha uma boa genética: foi o último a morrer e durou uns bons anos.
Depois deste episódio, peixes? Longe por favor!
Esta imagem era a pobre carpa a fugir do azulinho!
Muito bem, tal como prometido, vamos ao segundo motivo pelo qual não gosto de peixes.
Sempre gostei de animais de estimação, e o meu sonho era ter um cãozinho, mas, quando se vive num apartamento, nem sempre é fácil ter aquele que desejamos. Para os meus pais contornarem a situação, ofereceram-me uma tartaruga, que durou imenso tempo. Quando esta morreu, decidiram oferecer-me dois peixinhos, para ser diferente. Comprámos um aquário, daqueles sem tampa para poderem respirar melhor, e lá andavam eles todos contentes. Para não acontecer nenhum acidente o aquário ficava no móvel superior da cozinha, um móvel aberto, fazendo esquina com a parede, com umas prateleiras. Numa das prateleiras estava uma televisão a preto e branca, antiga, e na prateleira debaixo o aquário. Cada vez que era para os alimentar a minha mãe pegava no aquário e deixava-me colocar umas folhinhas.
Todos os dias me ia despedir dos peixinhos, pegava na mochila que estava nesse cantinho da cozinha, deixava os chinelos e vamos embora.
Um belo dia quando chego a casa, vou para dizer olá aos peixinhos e só havia um peixe!! Um peixe?? Mas onde está o outro peixe?? Estivemos a ver o nível da água e não me parecia que fosse suficiente para eles saltarem. Procurámos na prateleira, no chão, no balcão e nada de peixinho. Mas que mistério este… As janelas estavam fechadas e como o apartamento era alto também não podia ter sido levado por nenhum animal! Que mistério… Já estava a dar em doida, corri a casa toda, ainda com o calçado de exterior quando a minha mãe ralha comigo para ir calçar os chinelos. Lá fui eu toda chateada por não encontrar o peixe.
Tiro os sapatos, enfio os pés nos chinelos.. e havia qualquer coisa que não estava bem, o chinelo estava molhado e com algo viscoso! Molhado?? Olho para cima, olho para o chinelo molhado... começo a ficar em pânico… MMMMÃÃÃEEEE!
O peixe estava no INTERIOR do meu chinelo!!!! Sabem quantos anos é que eu andei traumatizada com isto? Cada vez que calçava os chinelos espreitava sempre para ver se não tinham nenhuma surpresa.
Conclusão: o peixe deve ter saltado do aquário, caiu no chão e deve ter dado um ou dois saltinhos até ficar dentro do chinelo, aconchegado, mas infelizmente sem água!
Aqui há uns tempos num comentário sobre animais referi que não gostava de peixinhos para ter num aquário, em casa. Gosto muito de os ver nadar, gosto das cores e de os alimentar, mas detesto quando se portam mal. E os meus realmente portaram-se muito mal. Entre hoje e quinta-feira, vou contar num total de 3 episódios todos os meus dramas com peixes.
Quando tinha cerca de 3 anos era muito gorduchinha e comilona, quase não deixava os meus pais comerem descansados, sempre a pedir comida. Numa bela noite de verão na varanda..
Chic' Ana: Quero mais peixe.
Mãe: Oh Ana, já comeste demasiado, vai dar uma voltinha!
Nisto deu-me um bocadinho de pão para me entreter. Eu olho para o pão, e não desisto, afinal não me agrada um bocadinho de pão seco quando eles estão a comer sardinhas...
Chic' Ana: Peixe! (e aponto para o pão)
Pai: Vá, mais um bocadinho para ela fazer como nós e colocar o peixe no pão.
Depois de os chatear imenso com o peixe lá me dão um bocadinho e eu vou-me embora toda contente. Acabei de comer e queria mais. Vou outra vez ter com eles à varanda...
Mãe: Ahhhhh, (vira-se para o meu pai) olha, olha, a Ana tem uma coisa na garganta.
Quando cheguei ao pé deles tinha uma espinha completamente atravessada na garganta, de tal forma que quase furava a pele. Tentaram de tudo, dar-me pão, água, para ver se a espinha se ia embora e nada.
Vestiram-se à pressa, e eu de pijama, sem estar minimamente apresentável, lá me arrastaram para o hospital. No hospital deram voltas e mais voltas, e mesmo com uma espécie de tesoura com os cantos curvos, não conseguiam tirar a espinha. Já tinha um séquito de médicos à minha volta e nada.. Encaminharam-me de imediato para o Hospital de Santa Maria, porque tinham outros aparelhos e lá vamos nós novamente a todo o vapor.
A meio do caminho a espinha desapareceu. Com tantas voltas que me deram, a espinha lá deve ter acabado por escorregar e seguir o percurso normal.
Sei que os meus pais e avós andaram traumatizados uns tempos, escolhiam-me o peixe até ao ínfimo pormenor, e ainda hoje contam esta história a toda a família e é uma risada geral!
Este fim de semana foi próspero em conversas encorajadoras para o meu lado. Ora, ontem à tarde estava muito bem a lanchar com a minha irmã quando ela se sai com uma dúvida existencial:
K: Ana, nós temos as vozes parecidas?
Chic' Ana: Eu acho que as nossas vozes são diferentes, mas somos sempre confundidas ao telefone, se calhar são mesmo iguais. Porquê?
K: É que eu acho a minha voz tão irritante..
Chic' Ana: Não digas isso, nós nunca ouvimos a nossa própria voz como os outros a ouvem.
K: Pois, mas oiço-te a ti, e pelos vistos as vozes são iguais.
Chic' Ana: (Mais valia ter estado caladinha!)
Estive a pesquisar um pouco e esta diferença entre o que nós ouvimos e o que os outros ouvem, tem a ver com o caminho que o som percorre até chegar ao ouvido interno.
Quando o som é externo ao nosso corpo, é ouvido através de vibrações que se propagam pelo ar. Quando é interno, o som propaga-se pelo ar, mas também através dos ossos da cabeça, como o maxilar, sendo que a percepção do som é a combinação destas duas formas distintas. Sabiam?
De qualquer forma não consigo deixar de pensar que no primeiro dia da semana fiquei a saber que tenho uma voz irritante. Não acham que é um excelente indicador de que a semana vai ser ótima?