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Chic'Ana

“Não posso mudar a direção do vento, mas posso ajustar as minhas velas para chegar sempre ao meu destino” by Jimmy Dean

Chic'Ana

“Não posso mudar a direção do vento, mas posso ajustar as minhas velas para chegar sempre ao meu destino” by Jimmy Dean

O dia do Pai

O dia do pai está a chegar.. e só a quantidade de partidas que eu aprontei com ele, dava uma rubrica com pano para mangas.

 

O meu pai sempre alinhou em todas as brincadeiras possíveis e imaginárias. Era eu pequenita, ficava acordada para ele me dar banho, ficava acordada para o ver entrar em casa e brincarmos aos touros… Ele dizia “Olé” e lá ia a Ana com corninhos em riste tentar acertar na capa imaginária ou na toalha da cozinha. Ele colocava-me sentada no topo dos armários da cozinha, ia comigo á serra aos fins de semana, explorar e descobrir casas abandonadas e alinhava na minha maluqueira com os bichinhos da seda. Quando eu tinha dificuldade em adormecer ia comigo dar uma volta de carro, para eu dormir durante a voltinha e acordar mal ele desligava o motor.

 

Eu fui uma felizarda, fui uma criança autêntica e feliz, não precisei de crescer cedo demais. Aprontei mil e quinhentas partidas, e todas elas eram encaradas com um sorriso.

 

Nunca fui de pedir nada de forma insistente, nunca fiz uma birra de me mandar para o chão em supermercados, nunca gritei com os meus pais, nunca lhes faltei ao respeito. Nunca exigi brinquedos ou guloseimas, o que tinha era mais que suficiente e era assim que era feliz. Bastava os meus pais dizerem que naquele momento não tinham dinheiro, que eu compreendia e ficava sossegada. Contudo, havia momentos em que também tinha pedidos: passear, deixarem-me ir ao parque, etc. E desde pequena que mantenho o mesmo truque, sim, até hoje…

 

Ora, quando queria e quero mesmo muito uma coisa, que normalmente nem é material, agarro-me afincadamente à perna do meu pai e só a largo depois de ele aceder. É uma autêntica tortura. Se ele disser logo que sim, largo imediatamente a perna, se ele disser que não, sou capaz de dar a volta à casa toda agarrada à perna dele, até que ele acaba por ceder – normalmente tem coisas para fazer e não aguenta muito tempo arrastar 55kg pelo chão neste momento (quando era miúda aguentava mais e eu parecia um coala, agora já não é fisicamente possível).

 

E vocês, têm algum truque que tenha vindo da infância? Partilhem lá as figurinhas que faziam vá, que o dia do pai está a chegar e é sempre bom recordar!

 

dia do pai.png

 

O pedido

Ontem foi dia dos namorados, o dia de excelência do amor, e nada melhor do que recordar o meu pedido de casamento.

 

Tínhamos comprado casa há relativamente pouco tempo e antes de nos mudarmos, queríamos dar-lhe um novo look, palavra chique para obras.

 

O M numa bela tarde vai ter comigo a casa dos meus pais, e muito apressadamente queria ir espreitar a casa e ver as novidades, etc. Eu estava num daqueles dias em que é necessário uma grua para me tirar do quentinho da casa, depois de muito esforço lá me convenceu a sair.

Chegámos à nossa nova casa e eu dei uma vista de olhos, parecia-me tudo igual ao que estava. A casa nem tinha um único móvel, portanto era fácil encontrar as diferenças. Entrei em todas as divisões menos no quarto. E ele bufava, espreitava e perguntava se eu tinha visto tudo.

 

Já farta daquela situação e sem ver nada de diferente, saio porta fora a resmungar por entre dentes que tinha saído de casa e os senhores das obras nem tinham lá colocado os pés. Nisto, sinto uma mão na minha a puxar-me para dentro de casa, ficámos um pouco no jogo do puxa e empurra, até que ele ganhou e me conseguiu encaminhar para o quarto.

Quando abri a porta, havia um coração de velas acesas, a rodear um ramo de rosas e uma caixinha com um anel.

 

Eu fiquei de todas as cores, só gaguejava... Sinceramente nem me lembro de dizer o Sim, mas este deve ter acontecido, porque o casamento deu-se!

 

Agora expliquem-me, como é que uma pessoa que entrava em casa e via tudo ao milímetro, não acha estranho haver uma porta fechada e uma luz alaranjada a sair por baixo da mesma, não acha estranho ter o M sempre a olhar fixamente para o quarto, não acha estranho toda a insistência dele? Devia estar mesmo distraída naquele dia.

 

Quando saímos de casa, ele suspira profundamente e diz: Se tivéssemos demorado mais uns segundos quando cá chegássemos tinha de te pedir em casamento com espectadores, os bombeiros, porque a casa devia estar a arder!

 

E por aí, como foi o vosso pedido de casamento ou de namoro?

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Relativamente ao passatempo das Deemak Twins, a grande vencedora foi a Cristiana Teixeira. Parabéns, vou enviar-te um e-mail para me dares os teus dados.

 

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A paixão e o amor

Podemos ficar sempre pelos inícios? Na fase da paixão, no começo do namoro, é tudo lindo e maravilhoso, são corações vermelhinhos por todo o lado, apenas existem qualidades e nada de defeitos, enfim, é a paixão no seu estado mais puro..

Mas não, se ficarmos somente pelos inícios não existe o aprofundar do sentimento, nunca conseguiremos alcançar a verdadeira definição de amor, pois eu acredito que este não é instantâneo. Pode haver uma forte atração, pode haver uma ligação, mas amor? Esse vai crescendo com a relação: quando conhecemos o parceiro, quando aceitamos as suas qualidades e defeitos, porque todos os temos, quando nos preocupamos e sacrificamos, quando existem divergências e sorrisos.

É um sentimento duradouro e não efémero ou fugaz como a paixão. Nem tudo é perfeito, e, se o fosse, não seria desafiante, não seriamos levados a superar-nos a cada dia.

Uma vida a dois é uma batalha, é tal e qual um envelope bem selado, em que cada dia, abrimos mais um pedacinho e podemos espreitar mais um capitulo da nossa história. O que irá de lá sair? Não sei! Até que ponto conhecemos verdadeiramente uma pessoa? Até que ponto nos conhecemos a nós? Não sei.. O amor tem destas coisas: é um misto de contradições, mas acima de tudo é um sentimento grandioso e que existe não apenas pelos nossos companheiros, mas pela família, pelos amigos mais chegados, pelos animais de estimação.. Há tantas formas de amor!

 

Mas hoje, de uma coisa tenho a certeza: Estou a precisar desesperadamente de uma massagem nas costas, que isto de começar a época das festas e deixar os treinos para segundo plano não me está a ajudar nada. (Sim, sei que estavam à espera de uma conclusão brilhante, mas… no que toca ao amor, será que há conclusões? Será que existe certo ou errado?)

 

Só espero ter mais sorte que o bonequinho da imagem… 

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O post de hoje tem que se lhe diga… Publiquei-o na segunda-feira e ele pura e simplesmente desapareceu, nem nos rascunhos, nem na reciclagem, não estava em lado nenhum! Já tinha inclusivamente dois comentários e mesmo assim o malandro colocou-se a andar.

Felizmente pude contar com uma salvadora, a Melhor Amiga, que ainda tinha a página do mesmo aberta e que me enviou uma cópia… Obrigada!

Um dia Especial

Ontem foi um dia muito especial. O dia de aniversário da pessoa que de mão dada com o meu pai, me ensinou a sorrir, me ensinou a cair mas a levantar-me sempre de cabeça erguida, me ensinou a falar e a fazer os primeiros disparates, mas acima de tudo, que me ensinou a ser feliz, e esse é o melhor ensinamento que uma mãe pode transmitir ao seu filho.

 

Mãe, podia dizer-te que és a melhor mãe que existe à face da terra, mas não o vou fazer, vou antes dizer-te que és a melhor mãe presente no MEU mundo, e a mãe que eu quero e que desejo. Se eu pudesse voltar atrás e escolher, serias a minha opção infinitamente.

 

Já aqui to disse uma vez, mas volto a repetir, consegues perceber-me como ninguém, consegues ouvir o meu silêncio ensurdecedor, tens sempre uma palavra de apoio e carinho, tens sempre a palavra certa no momento certo. És o meu porto de abrigo quando tudo ameaça ruir, e por mais longe que eu possa estar, sei que contigo posso sempre contar. Os filhos crescem, os filhos evoluem e saem do ninho, mas jamais dispensam o colo da mãe, portanto, nada de inventares artrites, reumatismo, dores ciáticas, falta de força porque ainda tens muitos anos para levar comigo em cima, literalmente!

Todo este palavreado para dizer que gosto muito de ti e que tens um lugar bem marcado no meu coração!

 

Fica uma foto de um dos momentos que marcou o dia: A minha irmã a tentar finalizar o bolo e o passarinho que também queria entrar na festa. Parece que ontem percebeu que era um dia especial. Passou a noite a voar de cabeça em cabeça, e, sempre que o colocávamos na caixinha e lhe dizíamos para dormir, piava e refilava. Só acalmou quando a azáfama também sossegou.

 

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Uma situação insólita

Ontem foi dia dos namorados, e desta vez não tinha qualquer ideia do que oferecer ao M. Sexta-feira à tarde, estava a pensar fazer alguma coisa e ia abstraída nos meus pensamentos quando passo por uma loja toda vermelhinha e enfeitada. Porque não entrar? Pensei eu.. e lá fui..

 

No interior da loja vi-me completamente perdida no meio de tantos peluches e corações, olhava para todo o lado e nada me agradava, até que  houve uma secção que me chamou a atenção de forma particular - a parte dos doces – aquilo eram chupas em forma de corações, com açúcar, sem açúcar, rebuçados com corações, gomas de todas as formas e feitios, chocolates, às tantas já tinha uns quantos pacotes nas mãos, sem mais espaço para nada, até que vem uma senhora muito gentil ajudar-me e dar-me um cesto para eu ir colocando os produtos.

Lembrei-me que a minha mãe também não tinha comprado nada e telefonei-lhe a perguntar se queria que eu levasse alguma coisa. Depois comecei a pensar que os rebuçados eram um miminho engraçado para outras pessoas e se era dia de espalhar o amor, porque não o fazer?

 

Conclusão, cheguei à caixa e era só tirar supostas prendas do cesto. Até que a senhora começa a olhar muito para mim, e eu, com a minha grande boca e mania de fazer conversa por tudo e por nada, começo:

 

Chic’ Ana: São muitas coisas, mas não é tudo para a mesma pessoa!

Senhora: Esteja descansada que eu não julgo.

Chic’ Ana:  Não, não, não me consegui explicar. O que eu queria dizer é que não é tudo para o namorado!

Senhora:

Chic’ Ana: É para namorados diferentes .. e também para amigas (acrescentei muito rapidamente).

Senhora:  (cada vez mais indignada)

Chic’ Ana: Bom, vamos lá ver se me faço entender.. é de mim para namorado, de mim para amigas, de mãe para namorado.

Bom, deixe estar, são 16€ não é? (paguei rapidamente e ainda a ouvi a murmurar quando saí..)

Senhora: Isto é com cada uma, agora chamam-lhe amigas.. É assim que são apanhadas!

 

Saí tão rápido que fiquei à chuva no meio da rua sem qualquer reação, com um saco cheio de doces, até que comecei novamente a carburar e penso: ao menos tenho os chocolates para afogar as mágoas!

 

Bem que lhe podia dizer que o namorado se conquista pelo estômago, mas na altura não me saiu nada tal era a cara de espanto da senhora!

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Carta à minha irmã...

Eu acredito que devemos expressar sempre as nossas emoções e sentimentos. Não sabemos como será o amanhã, apenas saboreamos o presente, e antes que o amanhã seja tarde de mais, aqui ficam algumas letras, que juntas formaram palavras, que por sua vez originaram frases que se compuseram para dar vida a uma carta.. A primeira carta que te escrevo..

 

Passei uma eternidade a chatear os meus pais para ter uma irmã. O meu pedido era muito claro: uma irmã para brincar! Demoraste a aparecer e foi numa manhã de verão que soube que vinha uma maninha a caminho. Daí ao teu nascimento foi um pulinho.

Finalmente ias sair da tua casinha, da casinha que pontapeavas com uma energia imensa. Ia ver-te pela primeira vez da parte da tarde. De manhã convenci o meu pai a secar-me o cabelo, a vestir-me o meu melhor vestido e fui para a escola, mal contendo o entusiasmo. O meu pai bem me avisou – nada de te sujares – e assim foi. Nos intervalos a emoção era tanta, que andava a dar cambalhotas numa estrutura de ferro, caí lá de cima, com a cara no chão, era só sangue e cabelos à minha frente, fiquei mesmo com uma pequena careca no cimo da cabeça e grandes arranhões na testa. E de quem foi a culpa? Tua! Ainda mal tinhas visto a luz do sol e já estavas a aprontar.

Chegou finalmente o meu pai e eu cumprira o prometido, estava limpinha, apenas despenteada e com a cara feita num oito. Mas isto era tudo secundário, o meu sonho era mesmo pegar-te ao colo. E assim foi, mal chegámos à maternidade a enfermeira disse logo – Não tem nada que enganar, é a maior que aí estiver – olhei para o berçário e lá estavas a agitar os bracinhos e com os olhos muito abertos.

Foste crescendo com alegria, tinhas uma paciência enorme para mim, para a minha curiosidade natural, não choravas, eras uma bebe impecável. Podia virar-te de pernas para o ar, arrastar-te pelo chão, e tu rias às gargalhadas. Mas também me pregavas partidas: Numa bela noite, os pais foram ao café e eu fiquei a tomar conta de ti. Mal fecharam a porta começaste a choramingar, eu fui lá, não tinhas fome nem estavas suja, peguei-te ao colo e tu choravas cada vez mais, passeei contigo e nada, até que comecei a chorar também com o desespero de não saber o que fazer contigo. Neste instante, abrem a porta e tu acalmas, sorris e adormeces. Só me apetecia dar-te uma palmada, ainda por cima perguntaram-me logo o que é que eu fazia contigo ao colo e a chorar, quando devias estar a dormir tranquila na tua caminha!

Começaste a andar e a rasgar todas as minhas bandas desenhadas, foi a única coisa que destruíste, de resto tratavas tudo com o máximo cuidado. E como uma boa irmã mais nova, fazias tudo o que eu fazia, imitavas-me em tudo. Do mais complexo ao mais simples. Lembro-me tantas vezes dos escorregas de água e dos divertimentos que metiam medo. Tu tremias, fechavas os olhos, mas ias sempre. Não me deixavas ir sem ti!

Cresceste, tornaste-te uma excelente aluna, sossegadinha, com um sentido de humor muito próprio. Com imensos talentos naturais: cantas, tocas viola de uma forma encantadora, tens um talento natural para a pintura e para o desenho e tens uma característica que eu aprecio muito, a tua sensibilidade.

Ao mesmo tempo que crescias, o meu orgulho e amor por ti cresciam também.

Podia escrever sobre ti o dia todo, mas finalizando, muitas aventuras passámos, muitas alegrias e tristezas partilhámos, mas acima de tudo, amigas e cúmplices nos tornámos. Ainda bem que fazes parte do meu mundo, ainda bem que estás sempre disponível para mim. Estou aqui sempre que precisares, estou aqui para te amparar e para te aconselhar. Espero que saibas que comigo podes sempre contar.

Continua a ser a pessoa maravilhosa que és, sempre preocupada, atenta, amiga, sorridente, distraída, sempre disponível para os que te rodeiam, ponderada, mal humorada ao acordar.. Todos estas características te compõem e não podias, nem eu queria que fosses diferente.

Um beijinho muito grande desta irmã que te adora.

E com uma lágrima no olho, espero que leias esta carta. Ela é para ti, e aqui fica eternizada! Se é lamechas? Acho que tem o seu grau de lamechice sim, mas também tem as habituais peripécias... 

 

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